| |
|
Ela pode ser viral (quando for
causada por um vírus), auto-imune
(quando nosso sistema imunológico
reconhece seus próprios tecidos
como estranhos, atacando-os para
destruí-los) ou ainda ser
causada por reação
ao álcool, drogas ou medicamentos,
já que é no fígado
que essas substâncias são
transformadas.
Existem vários tipos de
hepatites, mas aqui trataremos das
hepatites virais, abordando os tipos
mais comuns (A, B e C), explicando
suas diferenças, as vias
de transmissão e os meios
para tratá-las. |
|
|
As hepatites podem ser agudas ou crônicas.
Uma doença aguda é aquela
que tem início repentino e geralmente
apresenta sintomas nítidos. Quanto
o organismo não consegue curar-se
em até 6 meses, a doença
passa então a ser considerada crônica
e muitas vezes não apresenta sintomas.
|
“Na
presença de algum dos
sintomas procure um médico
e faça um exame de
sangue” |
|
O
sintoma mais peculiar da hepatite
é a icterícia, sinal
clínico que consiste na coloração
amarelada da pele, mucosas
e escleróticas. |
Hepatites virais agudas
São conhecidos os seguintes tipos
de hepatites virais agudas, identificados
por seus agentes causadores:
1. Hepatite A
(HVA), de transmissão fecal-oral,
por contaminação de água
e alimentos. Não se transmite pelo
sangue, a não ser durante o período
agudo. A taxa de mortalidade é
muito baixa e não há relato
de hepatite crônica por HVA.
2. Hepatite B
(HVB), que se transmite por contato
com sangue ou produtos sangüíneos
infectados, por via sexual ou pela chamada
transmissão vertical, isto é,
da mãe infectada para o recém-nascido,
no momento do parto. Os grupos de risco
incluem homossexuais, usuários
de drogas intravenosas, pacientes em hemodiálise
e profissionais da saúde. A hepatite
B pode evoluir para a cura completa, para
uma hepatite fulminante ou, mais tardiamente,
para câncer de fígado (hepatocarcinoma).
3. Hepatite C
(HVC), de alta incidência
entre usuários de drogas intravenosas.
São desse tipo oitenta por cento
dos casos de hepatite contraída
por transfusão de sangue. Sabe-se
hoje que a maior parte dos casos da chamada
hepatite não A-não B são
de hepatite C, que evolui, na maior parte
dos casos, para a hepatite crônica.
4. Hepatite D,
causada pelo agente delta, somente se
desenvolve em associação
com hepatite B. É endêmica
em algumas áreas, especialmente
a Amazônia, e geralmente complica
a evolução da doença.
5. Hepatite E
(HVE), transmitida pela água
contaminada, é epidêmica
na Ásia, no norte da África
e no México. Corresponde provavelmente
às hepatites anteriormente descritas
como não A-não B de transmissão
fecal-oral.
6. Hepatite F,
causada por partícula viral detectada
em pacientes submetidos a transplante
hepático.
Outros tipos de hepatites virais agudas
são causados por vírus como
o Epstein-Barr, o citomegalovírus
e o vírus do herpes, responsáveis
por 15 a 20% dos casos de hepatite pós-transfusão
diferentes da HVC, principalmente em pacientes
imunocomprometidos.
A identificação dos diferentes
tipos de hepatite viral aguda se faz pela
detecção, no sangue do paciente,
do próprio vírus ou pela
dosagem de imunoglobulinas, que são
a resposta imunológica do paciente
à agressão viral. O quadro
clínico é extremamente variável:
há desde casos completamente sem
sintomas, só detectados por exames
de laboratório, até quadros
de morte em poucos dias (hepatites fulminantes,
só se verifica em 1 % dos casos).
A doença se manifesta por sintomas
gerais de mal-estar, fadiga intensa, perda
de apetite, náuseas e vômitos,
febre e dor na região do fígado,
que se apresenta de tamanho aumentado,
fezes esbranquiçadas e urina escura.
Cinco a dez dias depois do aparecimento
dos sintomas tem início uma fase
ictérica, em que a pele e as conjuntivas
se apresentam amareladas.
O tratamento das hepatites virais consiste
basicamente em repouso no leito na fase
inicial de aparecimento dos sintomas.
É dispensável o repouso
absoluto, com retorno gradual das atividades
à medida que a doença regride.
A dieta
deve ser leve para evitar as náuseas,
com progressiva normalização
acompanhando a melhora clínica.
Recomenda-se a abstinência total
de álcool e outras drogas que possam
lesar o fígado já comprometido.
Para evitar contágio, basta os
cuidados higiênicos normais, como
lavar as mãos após as evacuações
ou após contato com material contaminado.
Exige-se cuidadosa manipulação
de agulhas e seringas contaminadas.
São importantes as campanhas que
previnem a contaminação
por via sexual e os cuidados especiais
com gestantes portadoras dos vírus
a fim de evitar transmissão durante
o parto. Aos grupos de alto risco recomenda-se
a vacina contra hepatite B, que protege
aproximadamente por nove anos.
Como forma de prevenção,
lembre-se de:
- Beber somente água potável;
- Lavar bem frutas e verduras;
- Manter dieta alimentar saudável;
- Incentivar, na família, hábitos
de higiene rigorosos;
- Usar preservativos na relação
sexual;
- Usar apenas agulhas descartáveis,
se precisar de injeção.
Manter-se informado sobre os novos estudos
científicos sobre as hepatites
virais e crônicas. Na presença
de algum dos sintomas procure um médico
e faça um exame de sangue.
|