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Mais uma vez escreverei sobre a ansiedade.
Ela continua a ser a mais terrível
e temida inimiga da reeducação
alimentar.
A maioria dos e-mails que recebo se refere
a esta "senhora" como sendo
o maior obstáculo para o sucesso
de um processo de eliminação
de peso. É sem dúvida, a
"inimiga pública número
1".
Como existem muitas dúvidas a
respeito desta estranha sensação,
é necessário que se saiba
um pouco mais sobre ela. Mas, ATENÇÃO!
Não vale ler e não absorver.
Cuidado com a ANSIEDADE...
Primeiramente, falarei sobre a Ansiedade
Normal.
Existem alguns autores que denominam
a nossa era como sendo a Era da Ansiedade.
Com tanta turbulência, competitividade,
dificuldades de relacionamento, consumismo
desenfreado, atrocidades, discrepâncias
sociais, injustiça, globalização
e tantos outros agentes poderosos, seria
praticamente impossível não
ser contaminado por este acontecimento
psíquico.
Para ser ansioso basta ser indivíduo
e ter participação ativa
na sociedade. Desde sempre a ansiedade
é companheira inseparável
do homem. No tempo do homem das cavernas,
era um sinalizador de alerta frente a
um perigo iminente e real. Através
deste sinalizador, este homem primitivo
podia enfrentar ou fugir de um animal
selvagem.
O sentimento de medo, outro fiel aliado
presente nos momentos de tensão,
é mais uma característica
da ANSIEDADE. Ao deparar-se com ursos
enormes o homem das cavernas tinha, com
certeza, uma grande descarga de adrenalina
e sentia a necessidade de resolver logo
a situação. Estava sobre
uma situação de estresse
e sentia medo. Certos sentimentos determinados
pelo perigo, pela ameaça, pelo
desconhecido e pela perspectiva de sofrimento
fazem parte da natureza humana. Preocupação
com a caça, com a mulher, com a
sobrevivência estavam presentes
em sua vida, mas a atitude era muito mais
instintiva e menos elaborada. Problemas
existiam, mas a capacitação
da resolução era o que definiria
sua existência. A ANSIEDADE era
o principal instrumento de adaptação
às exigências da vida, portanto,
era positivo ser ansioso.
A ANSIEDADE, observada por este prisma,
é um sinal de alerta que adverte
o perigo iminente e capacita para medidas
eficientes; quando ansioso este homem
se colocava em posição de
alarme, tanto física como psiquicamente
(dilatação das pupilas,
aceleração do coração,
dilatação dos brônquios
e musculatura enrijecida). Pronto para
o ataque ou para a defesa. Pronto para
enfrentar a vida...
A ANSIEDADE passou a ser classificada
e estudada como objeto de distúrbios
quando o homem deixou de usá-la
como instrumento de sobrevivência
e passou a atribuir significados altamente
complexos às suas sensações.
O homem deixou de apenas sobreviver e
passou a querer entender sua existência.
Foi aprimorando sua inteligência,
capacitação, adaptação
ao meio, comunicação e foi
tornando-se cada vez mais confuso quanto
suas atitudes. Quanto mais confuso, mais
conflitos. Quanto mais conflitos, mais
estresse... E assim o stress passou a
ser o representante legal e emocional
da ANSIEDADE.
Então, a ANSIEDADE, não
é este bicho papão que acaba
com os sonhos e perspectivas positivas
do ser humano. Ela demonstra claramente
a evolução humana e pode
ser classificada em níveis como
o "neuroendócrino" que
diz respeito aos efeitos da adrenalina,
noradrenalina e cortisona; o "visceral"
onde ocorrem efeitos musculares e na "consciência",
pela constatação das sensações
fisiológicas da sudorese, palpitação,
inquietação e conscientização
do nervosismo e amedrontamento.
Conclusão: de uma maneira ou outra,
somos todos ANSIOSOS. Ansiosos Normais.
E isto é muito bom!
Para a próxima semana a Ansiedade
Patológica. Aguardem.
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