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Aditivos alimentares: apesar da má fama, são indispensáveis para os alimentos industrializados.


Quem segue o conselho dos nutricionistas e têm o hábito de ler os rótulos de alimentos já se deparou, na lista de ingredientes, com algumas palavras "estranhas" como espessante, antiumectante, estabilizante, antioxidante, edulcorante, entre outras.
Afinal, o que esses "ingredientes" significam? Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), além da matéria-prima normalmente utilizada para a fabricação do alimento industrializado, é necessário citar, na lista de ingredientes, todos os aditivos alimentares que o mesmo possui.

Mas para que servem os aditivos alimentares? Será que eles prejudicam a saúde do consumidor?

De acordo com a ANVISA, considera-se aditivo alimentar qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos,
 
sem o propósito de nutrir, mas com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais (como aroma, cor, sabor e odor) durante o processamento do alimento. Esta definição não inclui substâncias nutritivas que sejam incorporadas aos alimentos para manter ou melhorar suas propriedades nutricionais e nem contaminantes.

Nas indústrias, os aditivos alimentares também são utilizados para aumentar o prazo de validade dos alimentos e prevenir alterações indesejáveis (como, por exemplo: bolor), facilitando também sua disponibilidade durante qualquer época do ano, para um grande número de consumidores e, em muitas ocasiões, a um baixo custo.

Quanto à saúde, é importante ressaltar que os aditivos não devem ser encarados como agentes causadores de doenças. O Ministério da Saúde, por meio da ANVISA, regulamenta e limita seu uso a alimentos específicos, na menor quantidade possível, para alcançar o efeito desejado; evitando assim, qualquer tipo de problema de saúde.

Antes de um novo aditivo ser liberado para uso em produtos industrializados, pesquisas são realizadas com objetivo de avaliar possíveis efeitos tóxicos, sendo que sua utilização é proibida:

- quando há evidências ou suspeitas de que o aditivo não é seguro para o consumo, ou

- quando interfere desfavoravelmente no valor nutritivo do alimento, ou

- quando serve para encobrir falhas no processamento e na manipulação do produto, ou ainda, para encobrir alterações e adulterações da matéria-prima ou do produto já elaborado, enganando o consumidor.

Mas, apesar do rigor dos estudos e da legislação e mesmo sabendo que nem todos os aditivos alimentares são sintéticos - sendo que muito deles são naturais (como alguns corantes, aromatizantes e flavorizantes) - não há como impedir que pessoas mais sensíveis, possam desencadear alergia ou intolerância a eles, assim como existem, aquelas que têm alergia ou intolerância a alimentos in natura e sem aditivos, como frutas frescas, ovos ou pescados.

Enfim, além de ler o rótulo, deve-se ficar atento a qualquer reação, seja gastrointestinal (náusea, vômito, diarréia) ou cutânea (coceira, vermelhidão, urticária) que possa surgir após a ingestão de algum alimento que contenha aditivo, procurando sempre o auxílio médico para avaliar se o problema foi ou não desencadeado pelo consumo do produto. Conheça, na tabela a seguir, os principais aditivos alimentares utilizados pela indústria e suas funções:

Aditivo alimentar
Principais Funções
Acidulante
aumentar a acidez ou conferir sabor ácido aos alimentos
Agente de Firmeza
tornar ou manter frutas ou hortaliças firmes e crocantes
Agente de Massa
aumentar o volume e/ou a massa dos alimentos sem contribuir significativamente com aumento no valor energético dos mesmos
Antiespumante
prevenir ou reduzir a formação de espuma
Antioxidante
retardar o aparecimento de alterações oxidativas (ou seja, sabor e odor de ranço) dos alimentos
Antiumectante
reduzir a umidade dos alimentos
Aromatizante / Flavorizante
conferir ou reforçar o aroma e / ou o sabor dos alimentos
Conservador
impedir ou retardar alterações e /ou deteriorações nos alimentos, provocadas por microrganismos (bactérias, fungos)
Corante
conferir, intensificar ou restaurar a cor dos alimentos
Edulcorante
conferir sabor doce aos alimentos, sem a utilização de açúcares
Emulsionante /Emulsificante
permitir a mistura de duas ou mais substâncias imiscíveis, ou seja, que não se misturam (ex: água e gordura)
Espessante
aumentar a viscosidade do alimento
Espumante
possibilitar a formação ou a manutenção de espumas em alimentos líquidos ou sólidos
Estabilizante
manter a estabilidade / uniformidade da mistura de duas ou mais substâncias imiscíveis
Estabilizante de cor
estabilizar, manter ou intensificar a cor dos alimentos
Fermento Químico
liberar gás com objetivo de aumentar o volume da massa
Glaceante
quando aplicada na superfície externa dos alimento, tem a função de conferir aparência brilhante ou revestimento protetor
Geleificante
conferir textura, através da formação de um gel
Melhorador de Farinha
quando agregado à farinha, tem a função de melhorar suas características, de acordo com a finalidade a que se destina (fabricação de pães, biscoito, macarrão)
Regulador de Acidez
alterar ou controlar a acidez ou alcalinidade dos alimentos
Realçador de Sabor
realçar o sabor ou aroma dos alimentos
Umectante
proteger os alimentos da perda de umidade

FONTE: ANVISA

- Decreto nº 50.040, de 24 de janeiro de 1961
- Decreto nº 55.871, de 26 de março de 1965
- Portaria nº 540 - SVS/MS, de 27 de outubro de 1997.

 
 

Roberta Stella
Nutricionista formada pela Universidade de São Paulo (USP).
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